Quando se fala em dinheiro, poupança e investimentos, em geral, vem à mente das pessoas a figura de uma pessoa genérica de terno e gravata com um sorriso no rosto. Dentre aqueles que já investem a algum tempo e os profissionais do mercado financeiro, podem surgir a imagem de Warren Buffet, mega investidor americano, ou aqui, no Brasil, de Henrique Bredda, gestor do fundo de ações Alaska Black. No entanto, todos estes grandes investidores se tornam pequenos perto do maior de todos os investidores: O Governo. O ser humano mais rico de todos segundo a revista Forbes, Jeff Bezos (Fundador e CEO da Amazon), acumulou uma fortuna um pouco maior que 100 bilhões de dólares, ao longo de várias décadas de sua vida. Anualmente, o governo Brasileiro tem disponível algo em torno de 0,8 trilhões de dólares para decidir onde investir, já os governos americano e chinês dispõe de mais de 4 trilhões de dólares todos os anos.

A política do endividamento desenfreado

Para além dos gastos financiados por impostos, na última década, os governos dos principais países do mundo decidiram financiar o crescimento econômico por meio do aumento de suas dívidas. O Governo Brasileiro possui uma dívida de 5,5 trilhões de reais, enquanto gasta R$ 2,6 trilhões por ano e tem de receita da ordem de R$ 2,4 trilhões. Para se colocar em perspectiva, imagine que o governo é uma pessoa com um salário de 1.000 reais. Nesta escala, hoje o governo teria um gasto de 1100 reais, com as coisas básicas, aluguel, alimentação, água e luz. Só isso já estoura o orçamento em 100 reais por mês.

Além disso, o governo já tem uma dívida de 2300 reais, que geram 25 reais de juros a mais por mês e os juros desta dívida não estão sendo pagos com o salário, pelo contrário, o governo está pedindo emprestado para outra pessoa para pagar os juros dessa primeira dívida.

É como se o governo estivesse no rotativo do cartão de crédito, pagando a parcela mínima da conta mensal. Essa política de endividamento desenfreado começou no primeiro governo Lula e se intensificou até o final do governo Dilma. Nesse período a dívida do país saiu de pouco mais de 150 bilhões de reais para mais de 5,5 trilhões:

Dívida do governo brasileiro

O plano era simples, "passar tudo no cartão de crédito". Copa? Passa no cartão de crédito. Olimpíada? Passa no cartão de crédito. Aumento de salário dos funcionários públicos? passa no cartão de crédito... O que Lula, Dilma e o povo brasileiro não sabiam é que no final do mês chega um boleto com a fatura. E esse boleto chegou em 2015 e não é à toa que houve a crise. Nessa época, os credores do governo (Leia-se: pessoas físicas por meio do Tesouro Direto, ou por meio de Fundos de Investimento ou de Fundos de Pensão, e pessoas jurídicas) já preocupados com a capacidade do governo de honrar com as dívidas contraídas, perguntaram como a Dilma iria fazer para honrar com esse dinheiro, ao que ela responde:

"Não vamos colocar uma meta, vamos deixar a meta aberta e quando chegarmos na meta, nós dobramos a meta".

A receita era, dobrar os gastos e rezar para que a receita viesse. Desastre. O país entrou na sua pior crise até então. Ficando com a economia mais e mais fragilizada. Após isso, Temer dá início a algumas reformas, e Bolsonaro e Paulo Guedes outras, mas todas gradualistas focando no longo prazo. A situação do Brasil deveria melhorar ao longo de cinco a dez anos, se nada desse errado. Mas deu muito errado...

CRISE GLOBAL

Após um primeiro ano de governo indo na direção certa, mas a passos lentos. O Brasil, ainda endividado, ainda gastando mais do que ganha, foi pego na crise do coronavírus. Diante do risco de milhões de mortes, especialistas em saúde recomendaram a suspensão de todas as atividades "não essenciais". Acontece que sem economia, as pessoas deixam de receber salários, e o governo deixa de receber impostos e um governo endividado e sem receita, não consegue ajudar as pessoas. De fato, se a quarentena demorar muito, o salário de 1000 reais com o qual o governo contava, deve se reduzir para 200 a 300 reais. As despesas de 1100 devem aumentar para 1300 a 1400 reais. E a dívida de 2300 deve ir para 3 a 4 mil reais.

A outra forma seria pedir dinheiro emprestado dos brasileiros ou de outros países, mas com a economia desligada, os brasileiros não terão dinheiro para emprestar, e os outros países, por se tratar de uma crise global, na mesma situação de endividamento e crise, vão precisar de dinheiro para cuidar de seus próprios cidadãos.

O Brasil corre sério risco de falir, simplesmente porque foi passando as compras fúteis no cartão de crédito e agora que precisa gastar dinheiro com algo sério como o coronavírus, não tem nem dinheiro e nem de quem pedir emprestado, já que todos os governos seguiram o mesmo caminho de endividamento e todos precisarão de dinheiro para tratar seus próprios cidadãos.

UNTIL DEBT TEAR US APART

NÃO HÁ DINHEIRO E NEM DE QUEM PEDIR EMPRESTADO

Muita gente falando que deve-se parar tudo e colocar todas as pessoas em quarentena. Que a vida das pessoas é mais importante que a economia. Essas mesmas pessoas acham que o governo as salvará. Digo e repito claramente e espero que você leia e releia as seguintes palavras: "Não há dinheiro e não há de onde tirar dinheiro e nem do onde pedir emprestado".

Décadas de políticas fiscais de endividamento desenfreado, aceleradas principalmente no governo Lula e Dilma, e não revogadas pelo governo Temer e Bolsonaro, até agora, minaram totalmente a maior parte do poder de reação do governo. Congelar a economia, não deixa de gerar apenas lucro para as empresas, deixa de gerar salário para os funcionários e impostos para o governo. Sem impostos, como comprar máscaras, álcool em gel, remédios, vacinas e testes? Sem empregos, como os pobres irão comer? Se ainda pensa que pelo menos eles estarão vivos, lembro que "No Grande Salto adiante", programa econômico desastroso dos chineses, em 4 anos entre 14 e 80 milhões de pessoas morreram de fome, porque a economia parou.

Lições que devemos aprender

O dinheiro do governo não é infinito, e ele não deve se endividar para pagar coisas como salários, Copas e Olimpíadas. O governo deve se ater às receitas de impostos e se endividar apenas em momentos de crises sérias, como pandemias e guerras. As reformas de que o Brasil necessita, precisarão ser mais profundas e menos gradualistas, devemos lutar por um país bom hoje e não daqui a 10 ou 20 anos.